Artigo

‘SALVE-SE QUEM PUDER’

Por Maciel Melo*

Minha palavra tarda, mas não cala. Minha voz, quando eu canto, embala; num brado berrante, ecoando no céu dos sertões euclidianos, tangendo as sílabas que desembestaram num poema cálido e mergulharam na correnteza de um caudaloso rio de rimas raras, que desce das montanhas para encontrar um oceano de paz, amor e liberdade.

Se a morte é cega, a vida enxerga muito mais além do corte. Quem tem Norte chega, quem não tem tropeça, se atrapalha. A vida está por um fio de navalha, nas mãos de um barbeiro cego que, a qualquer momento, pode estrangular a sorte.

Os ventos uivam, as águas turvam, e uma procela balança o barco e sacode a esperança para fora da embarcação.

Salve-se quem puder! O remanso enfureceu a tempestade e temos que nadar muito até gritar: Terra à vista!

Pois é, a briga é de classes; de um lado, a lâmina que corta o fio, que pendura a realidade obscura dos míseros seres mortais, que vivem à margem da sociedade. Do outro, a arrogância da burguesia, que cospe, com nojo dos pretos pobres e famintos favelados, querendo estuprar os direitos dos trabalhadores, acabar com a estabilidade do serviço público, e desmontar o estado brasileiro para facilitar o lucro fácil dos capitalistas nacionais e estrangeiros.

Salve-se quem puder, e se puder, capriche na entrada, porque na saída não tem prega que segure. E como disse o grande Grapiuna: Estamos todos com o monossílabo na mão.

*Cantor e compositor

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Petrolinense/Juazeirense de Arapiraca-Alagoas, é radialista com passagens pelas Rádios Jornal do Comércio de Garanhuns e Petrolina, Novo Nordeste de Arapiraca, Emissora Rural, Grande Rio AM e FM de Petrolina, Radio Cidade, Nova Indy e atualmente é âncora do Programa Bastidores da Notícia na Rádio Tropical SAT/FM de Juazeiro e editor do BlogQSP.