Artigo

Lula não é o demônio da hora

Por Edson Barbosa* – 

Tiraram uma frase do contexto, “…mesmo contra a vontade da humanidade”. Mas não justifica. A fala do Lula foi horrível, parecia uma encarnação do maluco falando, raivoso.

“Ainda bem…”, não se justifica em nenhum contexto. Para termos autoridade política temos que reconhecer quando a coisa é errada do lado que nos identificam, mesmo que eu não me identifique com quase nada do que está aí.

Nunca fui lulista, sempre defendi as atitudes corretas que tomou pelo bem do povo brasileiro. Mas sempre me opus aos erros, grandes, que cometeu e continua cometendo, como essa frase infeliz, como a postura de vítima que adota. Ainda bem que pediu desculpas rápido e me pareceu sincero. O medo do isolamento, dele e do PT, bateu às portas de modo quase irreversível.

Deu mole, inventou Dilma, insistiu com ela, achou que os banqueiros e empreiteiros eram seus amiguinhos, promiscuiu sua relação com a pilantragem letal da política.

Não reconhece que comprometeu o processo político e trincou seriamente a credibilidade do PT. Mesmo na campanha pra Haddad (grande ministro da educação e excelente prefeito de São Paulo), o erro persistiu com a insistência na ideia força de “Lula Livre” e a máscara ridícula na cara do candidato.

Mas aqui nesse diálogo somos pessoas razoavelmente informadas. Não faço coro com as afirmações de que Lula quebrou o país, que roubou milhões pra ele e os filhos. Nenhum policial, procurador, cartório, informações do sistema financeiro internacional, com a mais vigorosa investigação feita até hoje, foi capaz de afirmar e provar isso. A não ser no mundo tortuoso da seletividade judicial; perseguição política praticada por Moro e meia dúzia de siderados que quebrou a indústria de óleo e gás do país.

Mesmo as pedaladas cometidas pra justificar o impeachment de Dilma (“Deus me livre daquela mulher..”, como diz a letra do bolero) eram até ali prática comum de ajuste contábil em quase todos os governos, fosse no âmbito federal, estadual ou municipal.

A onda anti Lula/PT foi uma campanha avassaladora da grande mídia, que as redes sociais robotizadas pela competência estratégica do Bolsonaro, e minimizada pela incompetência das outras candidaturas, gerou. Provocou raiva, ódio, insanidade no voto. Mas também atendeu muitos outros interesses nefastos.

Bolsonaro assumiu com reservas cambiais de mais de 400 bilhões de dólares, todos os recordes da produção agropecuária, inflação sob controle e dólar estabilizado. Teto de gastos, “reformas” da previdência e do trabalho. Tudo de bom para as expectativas dos radicais liberais da economia e da política.

Mesmo a Petrobras, foco da Lava Jato, está a todo vapor, resistindo agora à esculhambação do mercado mundial do petróleo. Que país quebrado é esse?

Não gostar do PT, de Lula e Dilma é direito pleno, mas demonizá-los, ainda mais agora, não ajuda em nada. Nada.

Não há justificativa para a loucura que está aí hoje, presidida pela megalomania de arma e cloroquina na mão.

Ou nos unimos, mesmo com divergências e escolhemos foco, objetivo, ou continuarão os nossos ditos “democratas e progressistas”, destilando mágoas infrutíferas e gastando energia mental.

*Jornalista e publicitário

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farnesio

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Petrolinense/Juazeirense de Arapiraca-Alagoas, é radialista com passagens pelas Rádios Jornal do Comércio de Garanhuns e Petrolina, Novo Nordeste de Arapiraca, Emissora Rural, Grande Rio AM e FM de Petrolina, Radio Cidade, Nova Indy e atualmente é âncora do Programa Bastidores da Notícia na Rádio Tropical SAT/FM de Juazeiro e editor do BlogQSP.