ConfraternizaçõesEsportes

Fundação Palmares exclui homenagens a atletas negros com 19 medalhas paraolímpicas e 6 olímpicas

Por Redação do ge — Rio de Janeiro –

A Fundação Cultural Palmares, criada para combater o racismo e valorizar os feitos de pessoas negras do Brasil, retirou na última quarta-feira (2) o nome de 27 personalidades de uma lista de homenageados. O fato ocorreu após o órgão ligado ao governo federal ter definido em novembro que passaria a ter apenas tributos póstumos e não mais em vida. Assim, os atletas Ádria Santos, Janeth dos Santos, Joaquim Cruz, Servílio de Oliveira, Terezinha Guilhermina e Vanderlei Cordeiro de Lima deixaram de figurar na lista da entidade.

A portaria havia estabelecido em 11 de novembro que as mudanças começam a valer em 1º de dezembro e teriam caráter retroativo, ou seja, com a exclusão dos nomes homenageados em vida. Sérgio Camargo, atual presidente da fundação, foi o responsável por informar as alterações na lista, que ganhou o nome de João do Pulo, ex-recordista mundial do salto triplo e dono de duas medalhas de bronze em Olimpíadas. O paulista morreu em 1999, aos 45 anos, após uma crise hepática.

Lista de Personalidades Negras excluídas da Fundação Palmares — Foto: Reprodução

Lista de Personalidades Negras excluídas da Fundação Palmares — Foto: Reprodução

– Para que pessoas sejam reconhecidas em vida, novas homenagens, premiações e diplomas devem ser divulgados pela Fundação em breve – diz a nota oficial no site da Fundação Palmares.

Para Joaquim Cruz, campeão olímpico em 1984, a situação lhe foi “indiferente”, uma vez que ele sequer tinha conhecimento das homenagens feitas anteriormente pela Fundação Palmares. Mas, também discordou dos novos critérios adotados pela portaria.

– Fazer homenagem para as pessoas quando elas estão mortas, eu não sou muito fã disso não. Quando você quer homenagear alguém, você faz isso quando ela está viva para ela saber que ela recebeu a tal homenagem. Eu não tenho muito para dizer, honestamente – afirmou Joaquim Cruz, um dos retirados da lista.

Veja quem são os atletas retirados da lista de homenagens da Fundação Palmares:

 

Ádria Santos

Adria Santos — Foto: Divulgação

Adria Santos — Foto: Divulgação

A mineira Ádria Santos é considerada a maior medalhista feminina do esporte paralímpico do Brasil. Aos 46 anos, a velocista competiu em sua carreira na classe T11, para atletas com cegueira total, e ganhou nada menos que 13 medalhas em Jogos Paralímpicos, sendo quatro de ouro, oito de prata e uma de bronze.

Segundo registro do Wikipedia, além das medalhas em Paralimpíadas, Ádria soma ainda 73 medalhas em provas internacionais e 542 medalhas em provas nacionais na sua classe, incluindo o tricampeonato pela IAAF (Federação Internacional de Atletismo Amador)

Janeth dos Santos Arcain

Janeth — Foto: Paulo Roberto Conde

Janeth — Foto: Paulo Roberto Conde

A armadora do basquete foi uma das maiores atletas do Brasil e fez história dentro de quadra representando o país ao lado de nomes como Magic Paula e Hortência. Aos 51 anos, a paulista guarda troféus e medalhas de grande expressão, como a Prata nas Olimpíadas de 1996, em Atlanta, e o Bronze em Sydney 2000. Janeth ainda foi ouro no Mundial de 1994 e do Pan-Americano de Havana em 1991.

Em 2014, Janeth se tornou membra do Hall da Fama do Basquetebol Feminino e teve uma carreira notável não só no Brasil, mas como também atuou no Houston Comets, sendo tetracampeã da WNBA, liga profissional de basquete dos Estados Unidos.

Joaquim Cruz

Joaquim Cruz conquista a primeira medalha de ouro do Brasil em provas de pista — Foto: Heinz Kluetmeier /Walt Disney Television via Getty Images

Joaquim Cruz conquista a primeira medalha de ouro do Brasil em provas de pista — Foto: Heinz Kluetmeier /Walt Disney Television via Getty Images

Com destaque em provas mais longas, como os 800m e os 1500m rasos, Joaquim Cruz foi um dos grandes fundistas do Brasil. Medalhista de ouro nas Olimpíadas de Los Angeles em 1984 e prata em Seul 1988, o ex-atleta de 57 anos chegou a ser dono do recorde olímpico na prova de 800m, com o tempo 1:43:00.

A sua notável carreira rendeu uma homenagem do Comitê Olímpico Brasileiro e, em 2007, Joaquim Cruz foi escolhido para acender a pira olímpica para o início dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Atualmente, ele vive em San Diego, na Califórnia.

Servílio de Oliveira

Servílio de Oliveira (o terceiro da esquerda para direita) — Foto: Arquivo Pessoal

Servílio de Oliveira (o terceiro da esquerda para direita) — Foto: Arquivo Pessoal

Ex-pugilista de 72 anos, Servílio de Oliveira foi o primeiro brasileiro a conquistar uma medalha em Jogos Olímpicos no boxe. Em 1968, o paulista garantiu o bronze na Cidade do México e só viu outros brasileiros chegarem tão longe a partir de 2012, quando Adriana Araújo, Esquiva Falcão e Yamaguchi Florentino foram às semifinais em Londres.

Servílio seguiu atuando fora dos ringues no trabalho de ajuda a boxeadores como treinador e coordenador técnico, além de ter exercido o papel de comentarista. Se candidatou a vereador em Santo André nas últimas eleições, mas não foi eleito.

Terezinha Guilhermina

Revezamento 4x100m prata brasil terezinha guilhermina rio 2016 — Foto: Daniel Zappe/MPIX/CPB

Revezamento 4x100m prata brasil terezinha guilhermina rio 2016 — Foto: Daniel Zappe/MPIX/CPB

Mineira de Betim, Terezinha Guilhermina foi uma velocista brasileira, especializada em corridas de 100m rasos, 200m e 400m. Com deficiência visual, ela disputou as classes T11 e T13 do esporte e conquistou seis medalhas em Jogos Paralímpicos, sendo três de ouro, uma de prata e duas de bronze.

Além disso, foi um dos grandes destaques nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro em 2007, quando garantiu três medalhas de ouro nas categorias 100m rasos, 200m rasos e 400m rasos.

Vanderlei Cordeiro de Lima

Vanderlei Cordeiro de Lima na Olimpíada de Atenas em 2004 — Foto: Arquivo Pessoal

Vanderlei Cordeiro de Lima na Olimpíada de Atenas em 2004 — Foto: Arquivo Pessoal

Medalha de Bronze nos Jogos de Atenas, em 2004, Vanderlei Cordeiro de Lima, de 51 anos, ficou notabilizado por uma cena icônica naquela edição das Olimpíadas. Enquanto liderava a maratona, o brasileiro foi empurrado para fora da pista de competição pelo ex-padre irlandês Cornellius Horan. Apesar de voltar na liderança, Vanderlei perdeu o ritmo da prova e acabou chegando na terceira posição.

O fato ainda é muito lembrado nas histórias da Olimpíadas e Vanderlei recebeu diversas homenagens, como ter acendido a pira olímpica nos Jogos do Rio em 2016.

Previous post

Veja e Mainardi condenados por fake news

Next post

Polícia Militar de Alagoas passa a usar veículos Cab Motors

farnesio

farnesio

Petrolinense/Juazeirense de Arapiraca-Alagoas, é radialista com passagens pelas Rádios Jornal do Comércio de Garanhuns e Petrolina, Novo Nordeste de Arapiraca, Emissora Rural, Grande Rio AM e FM de Petrolina, Radio Cidade, Nova Indy e atualmente é âncora do Programa Bastidores da Notícia na Rádio Tropical SAT/FM de Juazeiro e editor do BlogQSP.